Opinião: Piquerez brilha em vitória gigante do Palmeiras, mas triunfo contra o Athletico cobra seu preço

  • 17/10/2026
O Palmeiras começou impondo seu ritmo e terminou protegendo a vantagem: a mudança de cenário expôs outra face da vitória no Paraná

O Palmeiras saiu da Arena da Baixada com três pontos, dois gols de vantagem e uma pequena coleção de assuntos para resolver. Piquerez, autor de uma cobrança de falta que merece reprise, foi um dos protagonistas da vitória por 2 a 0 sobre o Athletico-PR. Mas o futebol, pouco afeito a finais inteiramente felizes, tratou de acrescentar uma ressalva ao desempenho do uruguaio: ele recebeu o terceiro cartão amarelo e será desfalque no próximo compromisso pelo Brasileirão. O Verdão ganhou em Curitiba. A planilha de problemas, entretanto, não saiu zerada.

Nos primeiros dez minutos, o Palestra parecia disposto a resolver a noite antes mesmo de o torcedor encontrar uma posição confortável no sofá. Aos cinco, Mauricio abriu o placar após uma combinação com Flaco López. Quatro minutos depois, Piquerez ampliou em cobrança de falta, aproveitando o posicionamento de Mycael. Dois gols, duas pancadas e uma impressão inicial bastante favorável ao time de Abel Ferreira. O Athletico, que vinha de uma goleada sobre a Chapecoense, descobriu cedo que a visita palmeirense não tinha qualquer intenção de fazer turismo.

O gol de Piquerez merece um parágrafo à parte. O lateral acertou a bola com a precisão de quem conhece o endereço e não precisa consultar o GPS. A cobrança foi direta, rasteira e surpreendeu o goleiro adversário. Foi o segundo golpe de uma equipe que começou a partida com objetividade e aproveitou as oportunidades que apareceram. Em jogos de campeonato, desperdiçar a largada pode custar caro. O Verdaço fez o contrário e ganhou uma vantagem que, mais tarde, se revelaria fundamental.

A primeira etapa, contudo, não terminou com a mesma tranquilidade com que começou. Piquerez recebeu cartão amarelo aos 34 minutos, advertido por causa do posicionamento da barreira palmeirense em uma cobrança de falta do Athletico. O uruguaio já estava, portanto, na lista de pendurados e passou a carregar um risco que terá consequências na rodada seguinte. Sete minutos depois, Andreas Pereira resolveu entrar em cena pelo motivo errado: chutou uma segunda bola, lançada pela torcida ao gramado, na direção da bola que estava em jogo. Como já havia sido advertido, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

O cenário complicou para o Palmeiras por infantilidade de Andreas

A expulsão mudou a natureza do confronto. Até ali, o Palestra tinha construído a vantagem e podia pensar em ampliar o placar. Com um jogador a menos, precisou trocar parte de sua ambição ofensiva por uma tarefa menos vistosa, embora indispensável: defender o que havia conquistado. Não considero que seja necessário transformar Andreas em vilão de novela para reconhecer o tamanho do erro. Um jogador experiente, já advertido, precisa entender a regra e estar atento a ela. Seu erro foi juvenil e perigoso. O meio-campista escolheu participar de um episódio absolutamente evitável e deixou os companheiros com a conta.

O segundo tempo foi praticamente outro jogo. O Athletico passou a ter mais iniciativa, ocupou o campo ofensivo e terminou a partida com 20 finalizações. O Palmeiras, por sua vez, precisou baixar suas linhas, encurtar os espaços e proteger a vantagem com uma equipe reorganizada. A partida perdeu a feição de uma vitória que poderia crescer e ganhou contornos de resistência. É aqui que a análise precisa fugir de duas tentações bastante comuns.

A primeira é tratar a vitória como demonstração de superioridade absoluta durante os 90 minutos. Não foi isso que aconteceu: a expulsão alterou o contexto e ofereceu ao Athletico uma vantagem numérica que pesou no andamento do segundo tempo. A segunda é diminuir o mérito palmeirense porque o adversário teve mais espaço para atacar. Defender com dez jogadores durante boa parte de uma partida fora de casa exige organização, concentração e disposição coletiva. A SEP teve de sobreviver a um roteiro que ela própria não havia escolhido e, convenhamos, foi gigante na adaptação urgente do roteiro, haja vista a atuação impecável do zagueiro Murilo.

Piquerez brilhou, mas deixou o Verdão em aleta para sequência da temporada

Piquerez aparece, então, como o personagem que amarra as duas metades dessa história. No início, foi decisivo para construir o resultado, depois, tornou-se parte de uma lista de preocupações para o calendário. Seu cartão amarelo não teve relação com a expulsão de Andreas, a não ser pela semelhança na falta de atenção, em níveis diferentes, obviamente, mas seria injusto misturar os episódios. Ainda assim, o efeito prático é o mesmo para a comissão técnica: o uruguaio não enfrentará o Red Bull Bragantino, no próximo sábado, pela 32ª rodada do Brasileirão. Um golaço pode decidir uma partida, uma advertência pode obrigar o treinador a redesenhar a seguinte.

(Foto: Reprodução)

A ausência merece atenção porque Piquerez oferece ao Palmeiras uma alternativa importante de apoio pelo lado esquerdo, além da qualidade na bola parada demonstrada em Curitiba. Não significa que o time ficará sem solução, muito menos que a suspensão determine algum desastre, até porque Arthur é uma interessante substituição. O ponto é outro: em uma temporada de calendário apertado, cada ausência exige ajustes, e o lateral deixa uma lacuna justamente quando o clube disputa objetivos importantes em mais de uma frente. Antes do Bragantino, porém, há um compromisso ainda mais urgente: o jogo de volta da semifinal da Libertadores contra o Fluminense, na quarta-feira. O planejamento não pode olhar apenas para a próxima rodada do campeonato.

Vitória gigantesca e uma lição a ser aprendida

A vitória também tem um valor que vai além da tabela. A SEP chegou aos 66 pontos e assumiu provisoriamente a liderança do Brasileirão, à espera do resultado do Flamengo. Em uma disputa tão apertada, ganhar fora de casa, mesmo depois de uma expulsão, é um resultado de peso. Mas a boa notícia não deve servir de cortina para o que precisa ser corrigido. A equipe construiu a vantagem com competência e depois precisou administrá-la em condições adversas. O saldo é positivo, a postura resiliente e de resistência também, porém, a lição sobre disciplina competitiva, nem tanto. Em outubro, cada ponto vale muito e cada decisão desnecessária pode tornar a caminhada mais difícil.

Piquerez deixa Curitiba com a imagem do golaço e a suspensão na bagagem. O Verdaço leva os três pontos, a liderança provisória e a confirmação de que consegue resistir quando a partida se transforma em outra coisa. Eu ficaria com essa leitura: o mérito esteve na largada que abriu dois gols de vantagem e na capacidade coletiva de preservar o resultado; a preocupação está no preço que o time pagou para chegar ao apito final. O futebol raramente oferece uma vitória sem rodapé. Desta vez, o rodapé tem o nome de Andreas, a ausência de Piquerez e uma agenda que não concede descanso nem para comemorar direito.

FONTE: https://br.bolavip.com/palmeiras/opiniao-piquerez-brilha-em-vitoria-gigante-do-palmeiras-mas-triunfo-contra-o-athletico-cobra-seu-preco


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