Opinião: Palmeiras dá resposta gigantesca em Curitiba e cria nova ‘casca’ para se manter no topo
- 18/10/2026
A vitória do Palmeiras por 2 a 0 sobre o Athletico-PR, na Arena da Baixada, foi muito maior do que os três pontos conquistados na 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time de Abel Ferreira protagonizou um daqueles resultados que podem marcar uma temporada, pela dificuldade do cenário, pela maneira como se comportou e, principalmente, pela mensagem que enviou aos concorrentes. O Alviverde mostrou uma nova ‘casca’ para ser campeão.
E não faltam motivos para dimensionar o tamanho desse feito. O Athletico defendia uma longa invencibilidade em casa, era o terceiro colocado do Brasileirão e jogava diante de uma Arena lotada.
Do outro lado, o Verdão entrou em campo sem titulares importantes como Gustavo Gómez, Marlon Freitas e Giay, mas construiu uma vantagem de 2 a 0 nos primeiros minutos. Para completar, precisou disputar todo o 2º tempo com um jogador a menos após a expulsão de Andreas Pereira. É justamente aí que está o mérito de Abel Ferreira e de seu elenco.
Méritos de Abel, comissão técnica e elenco na ‘hora H’
O Palmeiras não se desesperou, não perdeu a organização e tampouco abdicou completamente de atacar. Demonstrou equilíbrio emocional, consciência tática e competitividade para suportar a pressão. É o tipo de atuação que fortalece um grupo muito mais do que uma goleada construída em circunstâncias favoráveis.
A resposta ganha ainda mais relevância pelo contexto de 2025, quando o investimento próximo de R$ 1 bilhão em reforços não se traduziu logo em títulos e o time apresentou sinais de fragilidade em momentos decisivos.
Abel foi questionado, o padrão de jogo da equipe virou alvo de críticas e a o SEP chegou a transmitir a sensação de que poderia perder o controle da temporada. Agora, o cenário é outro: depois de trabalhar durante a Data FIFA, o Palmeiras voltou com força e emendou vitórias sobre Bahia, Corinthians, Fluminense e Athletico-PR.
Parte dessa transformação passa pelo esquema com três zagueiros e três meio-campistas, tantas vezes contestado. O sistema parece ter encontrado o equilíbrio necessário para conectar defesa e ataque, dar sustentação ao meio-campo e permitir que o time seja competitivo em diferentes situações. Mais do que os números, o Palmeiras voltou a transmitir a impressão de saber exatamente o que precisa fazer em campo — inclusive quando o plano inicial é colocado à prova.
E o Flamengo percebe. O rival, que durante muito tempo pareceu jogar com mais leveza nos confrontos e na disputa direta com o Verdão, agora vê um concorrente mais coeso, confiante e mentalmente fortalecido. Com 66 pontos após a vitória em Curitiba, o Palmeiras colocou pressão sobre os cariocas e reforçou a sensação de que a corrida pelo título brasileiro será decidida nos detalhes. A mesma confiança também alimenta a ambição alviverde na Libertadores.
Humildade e sequência do trabalho são os segredos do Palmeiras
Mas é justamente neste momento que Abel precisa manter o elenco com os pés no chão. A vitória na Arena da Baixada não vale mais do que três pontos na tabela, e o futebol não perdoa equipes que confundem confiança com soberba. De nada adiantará superar um adversário tão difícil fora de casa se o Palmeiras desperdiçar pontos contra Red Bull Bragantino, Remo ou Coritiba em casa, por exemplo. A regularidade será tão importante quanto a força nos grandes jogos.
Por isso, a comemoração é merecida, mas precisa vir acompanhada de concentração e trabalho silencioso. O Palmeiras não precisa alimentar provocações nem se deixar levar pelo clima de euforia. Precisa continuar evoluindo, corrigindo falhas e encontrando soluções para diferentes cenários.
A vitória em Curitiba foi gigantesca porque revelou um time mais maduro, cascudo e preparado para suportar a pressão de uma reta final decisiva. Ainda não garante taça alguma, mas oferece um sinal poderoso: o Palmeiras voltou a ter cara de campeão — e o Flamengo sabe disso.
















